Beber água é o primeiro conselho que qualquer pessoa recebe quando o assunto é hidratação, e não deixa de estar certo. O problema é que, em muitas situações, água sozinha não é suficiente para manter o corpo realmente hidratado, principalmente durante treinos intensos, dias quentes ou rotinas mais puxadas. Lucas Peralles, nutricionista esportivo em São Paulo, explica que o corpo perde muito mais do que água quando transpira; perde também eletrólitos, minerais essenciais para uma série de funções que a água pura, isolada, não consegue sustentar sozinha.
O que são eletrólitos e por que o corpo precisa deles?
Eletrólitos são minerais com carga elétrica, entre eles sódio, potássio, magnésio e cálcio, responsáveis por funções que vão muito além de simplesmente repor líquido. Eles regulam o equilíbrio de fluidos dentro e fora das células, participam da transmissão de impulsos nervosos e são essenciais para a contração muscular.
Sem esses minerais em quantidade adequada, o corpo tem dificuldade de distribuir a água consumida para onde ela realmente é necessária, o que significa que é possível beber bastante líquido e, ainda assim, permanecer mal hidratado no nível celular.
Por que repor só com água pode ser um problema em treinos intensos?
Durante o suor, principalmente em ambientes quentes ou treinos longos, o corpo perde quantidades significativas de sódio e outros eletrólitos. Se a reposição acontece só com água, sem considerar esses minerais, existe risco real de desequilíbrio, incluindo hiponatremia, condição em que a concentração de sódio no sangue cai a níveis perigosamente baixos.

Lucas Peralles aponta que sintomas como câimbra, tontura e confusão mental durante ou depois de esforços físicos prolongados costumam ter relação direta com esse tipo de desequilíbrio, não necessariamente com falta de água em si.
Quem realmente precisa se preocupar com reposição de eletrólitos?
Não é uma preocupação restrita a atletas de alta performance. Pessoas expostas ao calor extremo, quem treina por período prolongado, idosos com menor percepção de sede e qualquer pessoa com rotina de suor intenso no dia a dia também se beneficiam dessa reposição, mesmo sem praticar esporte competitivo.
Para o dia a dia comum, sem exercício intenso, a alimentação equilibrada já costuma fornecer boa parte dos eletrólitos necessários. É em situações de perda mais acentuada, como treinos longos ou calor extremo, que a atenção extra a esses minerais realmente faz diferença.
Como repor eletrólitos sem depender só de bebidas industrializadas?
Alimentos comuns já fornecem boa parte dos eletrólitos necessários no dia a dia. Banana e água de coco, por exemplo, são fontes de potássio, enquanto alimentos que contêm sódio contribuem para a reposição desse mineral. Durante exercícios prolongados e com muita sudorese, a necessidade de reposição pode ser maior e varia de acordo com as características do treino e da própria pessoa.
O nutricionista esportivo Lucas Peralles aponta que bebidas isotônicas e suplementos específicos têm seu lugar em treinos muito longos ou intensos, mas não deveriam substituir uma alimentação que já contemple essas fontes naturais no dia a dia.
O que fica dessa relação entre eletrólitos e hidratação?
Hidratação de verdade não depende só de quanto líquido é consumido, depende também do equilíbrio de minerais que permitem que essa água cumpra sua função dentro do corpo. Ignorar os eletrólitos pode significar beber bastante e, mesmo assim, sentir os efeitos da desidratação.
Lucas Peralles reforça que essa atenção importa especialmente para quem treina com regularidade ou vive em climas mais quentes, situações em que a perda de minerais pelo suor é constante e nem sempre percebida no momento em que acontece. A Clínica Peralles, compartilha conteúdos sobre nutrição esportiva para resultados reais no Instagram. Siga @nutriperalles para acompanhar mais!

