O fortalecimento do fenômeno El Niño colocou o sistema de saúde de Mato Grosso em estado de atenção para os possíveis efeitos do calor intenso, da redução das chuvas, da baixa umidade e do aumento no risco de incêndios florestais. De acordo com o Ministério da Saúde, o evento climático pode atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro de 2026, com impactos que tendem a se prolongar até março de 2027.
Para o Centro-Oeste, a previsão indica um cenário de estiagem mais severa e temperaturas elevadas. A combinação pode favorecer queimadas, piorar a qualidade do ar e aumentar a exposição da população a problemas respiratórios e outros agravos relacionados ao calor. Também estão no radar das autoridades possíveis dificuldades envolvendo a disponibilidade e a qualidade da água para consumo.
Em Mato Grosso, Cuiabá integra diretamente a estratégia federal de acompanhamento. A capital abriga um dos Centros de Informação em Saúde e Clima do Ministério da Saúde, estrutura que reúne dados ambientais e de saúde para apoiar a elaboração de planos de contingência e orientar a atuação do Sistema Único de Saúde diante de eventos extremos.
Monitoramento deve antecipar impactos na população
Segundo o Ministério da Saúde, a preparação para o período inclui o acompanhamento simultâneo de informações climáticas e epidemiológicas. A proposta é identificar mudanças no cenário, produzir alertas e apoiar secretarias estaduais e municipais na organização dos serviços de saúde.
O Centro de Informação em Saúde e Clima instalado em Cuiabá tem papel estratégico nesse processo porque permite relacionar as condições ambientais observadas na região com possíveis consequências para a saúde. A análise pode subsidiar decisões sobre atendimento, comunicação de risco, vigilância e medidas de proteção em períodos de calor extremo, ar seco e fumaça.
O Ministério da Saúde informou que a preparação ocorre em todo o país, com atenção aos efeitos que podem variar conforme as características de cada região. No Centro-Oeste, a combinação entre menor volume de precipitação, calor e queimadas exige articulação entre as áreas de saúde, meio ambiente, defesa civil e abastecimento.
Riscos incluem fumaça, água e animais peçonhentos
Durante a estiagem, a fumaça provocada por incêndios pode agravar sintomas respiratórios, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes. O calor intenso e a baixa umidade também aumentam a necessidade de cuidados para evitar desidratação e outros problemas associados à exposição prolongada a temperaturas elevadas.
Outro ponto acompanhado pelas autoridades é a segurança hídrica. A redução das chuvas pode pressionar a disponibilidade de água, enquanto eventos extremos e alterações nas condições ambientais podem afetar sua qualidade. Por isso, o planejamento do SUS considera a necessidade de alertas e orientações à população quando houver risco relacionado ao abastecimento ou ao consumo.
Reportagem do Diário de Cuiabá informou que a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso emitiu quatro alertas associados aos possíveis efeitos do El Niño. Os temas citados são acidentes com animais peçonhentos, segurança e disponibilidade da água, risco de zoonoses e preparação dos profissionais de saúde.
A presença de animais peçonhentos em áreas urbanas e rurais também é considerada uma preocupação durante períodos de seca e alteração ambiental. A orientação é que a população procure atendimento de saúde em caso de acidente e evite medidas caseiras que possam agravar o quadro. Os serviços públicos, por sua vez, precisam estar preparados para reconhecer e tratar essas ocorrências.
El Niño pode permanecer ativo até 2027
O cenário climático foi detalhado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) no terceiro boletim de monitoramento do El Niño, divulgado em 2 de setembro de 2026. Conforme as informações reunidas na pauta, havia mais de 90% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre setembro e novembro.
O Ministério da Saúde divulgou atualizações sobre a preparação em 16 e 25 de setembro. Em uma das comunicações, destacou o reforço da assistência no Centro-Oeste diante do calor, do risco de incêndios florestais e dos possíveis impactos sobre a água potável. Em outra, informou a ampliação do diálogo com movimentos sociais na preparação do SUS.
Para Mato Grosso, o acompanhamento em Cuiabá deve ajudar a transformar dados climáticos em medidas de prevenção e resposta. A estratégia não elimina os efeitos da estiagem, mas permite que os serviços de saúde recebam informações com antecedência e organizem ações conforme a evolução do calor, da umidade, das queimadas e dos riscos epidemiológicos.

