Como destaca Paulo Roberto Gomes Fernandes, executivo da empresa Liderroll Indústria e Comércio de Suportes, o cenário de transição política no Brasil acende o debate sobre o futuro da Petrobras e a gestão de seus ativos estratégicos. Para o empresário, a nova gestão da companhia precisará de cautela e visão estratégica para não comprometer a soberania nacional em setores vitais, defendendo que a venda de ativos não deve servir apenas para “tapar buracos econômicos” momentâneos.
Por que a privatização de gasodutos é considerada um erro estratégico?
A venda de malhas de gasodutos, como ocorreu com a NTS, é vista com ceticismo por especialistas do setor. Argumenta que a Petrobras, após investir vultosos recursos e enfrentar desgastes ambientais e burocráticos para construir essas vias, passou a pagar para transportar seu próprio gás por dutos que antes lhe pertenciam. Segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes, essa lógica de “pagar para usar a própria casa” compromete a rentabilidade e a autonomia da estatal, transformando ativos estratégicos em custos operacionais fixos e elevados.
Um dos pontos mais críticos apontados pela Liderroll é a prática de licitar obras com projetos básicos insuficientes. Essa metodologia gera incertezas técnicas e orçamentárias, empurrando empresas para riscos jurídicos e financeiros. A falta de projetos detalhados nos editais obriga a geração de aditivos contratuais sucessivos, o que distorce os custos reais das obras e pode levar a interpretações equivocadas de superfaturamento por órgãos de controle como o TCU.
Qual a proposta para um novo modelo de parcerias com a iniciativa privada?
O executivo defende que a Petrobras deve focar em seu core business (petróleo e gás) e abrir espaço para que empresas privadas construam refinarias independentes e polos regionais. O fim da “megalomania” da estatal permitiria que pequenos e médios produtores vendessem combustíveis diretamente aos postos, eliminando intermediários e reduzindo preços ao consumidor final. No entanto, ele ressalta que o capital privado deve atuar como investidor ou parceiro, e não necessariamente como dono de ativos essenciais à segurança energética.
A capacidade de resposta tecnológica do Brasil, exemplificada pela construção recorde de terminais como Pecém (CE) e TAIC (RJ), é um regulador de mercado frente a pressões internacionais. Paulo Roberto Gomes Fernandes, executivo da empresa Liderroll Indústria e Comércio de Suportes, pontua que essas obras impediram especulações contratuais externas que colocavam o país em posição de vulnerabilidade. Deter tecnologia de ponta e potencial instalado é uma estratégia de preservação de fronteiras, comparável a setores como defesa e aviação, garantindo que o país não fique refém de vontades externas.

Como evitar uma nova crise de governança nas obras da estatal?
O executivo sugere que a Petrobras apenas licite novos investimentos com projetos executivos e detalhados já inclusos nos editais. A engenharia deve ser feita “na prancheta” e não no canteiro de obras ou em burocracias contratuais. Esse nivelamento de informações permitiria uma competição justa, prazos realistas e a entrega de instalações com a qualidade exigida pela companhia, protegendo tanto os gerentes da estatal quanto os empresários fornecedores.
O executivo posiciona-se radicalmente contra a diversificação da Petrobras para áreas como energia eólica, solar ou fertilizantes. Paulo Roberto Gomes Fernandes, executivo da empresa Liderroll Indústria e Comércio de Suportes, utiliza a metáfora do “modelo pato” para descrever empresas que tentam abraçar múltiplos setores e acabam não sendo eficientes em nenhum. Ele defende a criação de empresas específicas para esses fins, permitindo que a Petrobras mantenha seu foco técnico e financeiro na exploração e refino, onde detém liderança mundial e maior potencial de retorno.
O que esperar da relação entre governo e empresariado em 2026?
Paulo Roberto Gomes Fernandes, executivo da empresa Liderroll Indústria e Comércio de Suportes, resume que a correção desses erros históricos é fundamental para o crescimento sustentável até 2026. Portanto, o compromisso do mercado é colaborar com uma gestão que valorize a técnica sobre a política, garantindo que os investimentos em infraestrutura resultem em produtividade real e geração de empregos. A Liderroll reafirma sua disposição em oferecer inteligência de engenharia para que o país retome sua soberania energética com transparência e eficiência técnica.
Autor: Elmaris Elyster

