Alta semanal chegou a 3,45%, mas feijão, carne bovina e café ficaram mais baratos e podem ajudar famílias a reorganizar as compras.
A cesta básica voltou a pesar mais no orçamento das famílias de Cuiabá na segunda semana de setembro, mas o movimento não atingiu todos os alimentos da mesma maneira. Levantamento do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) apontou que o custo médio chegou a R$ 889, alta de 3,45% em apenas uma semana, o equivalente a R$ 29,66 a mais. Em relação ao mesmo período de 2025, o valor está 13,29% maior. (Home)
O que chama atenção para o consumidor cuiabano é a diferença entre os produtos. Batata e tomate tiveram aumentos expressivos e foram os principais responsáveis pela pressão recente, enquanto feijão, carne bovina e café registraram queda. A situação mostra que a alta da cesta não significa necessariamente que todos os itens estejam subindo ao mesmo tempo. Para quem precisa controlar as despesas, entender quais produtos estão pressionando o orçamento pode ser mais útil do que olhar somente para o valor total da cesta.
Por que a cesta básica subiu tanto em Cuiabá nesta semana?
A alta de 3,45% levou a cesta básica de R$ 859,34 para R$ 889 entre a primeira e a segunda semana de setembro. O resultado representa a segunda elevação consecutiva no mês e fez o indicador acumular avanço de 4,88% em setembro. Na comparação anual, o salto é ainda mais significativo: a cesta custava R$ 784,74 no mesmo período de 2025, o que significa que a família cuiabana passou a desembolsar, em média, R$ 104,26 a mais para adquirir o mesmo conjunto de produtos. (Home)
Os alimentos que mais chamaram atenção foram os hortifrutigranjeiros. A batata alcançou preço médio de R$ 7,56 por quilo e acumulou alta de 36,25% em apenas uma semana, enquanto o tomate chegou a R$ 11,07 por quilo, com avanço semanal de 22,83%. Em 12 meses, a situação também chama atenção: a batata ficou 116,85% mais cara e o tomate acumulou alta de 102,17%, segundo o levantamento do IPF-MT. (Primeira Página)
O comportamento desses produtos ajuda a explicar por que a cesta pode mudar rapidamente mesmo quando outros alimentos apresentam estabilidade ou queda. A análise divulgada pela Fecomércio Mato Grosso relaciona parte da pressão a fatores climáticos que interferem na oferta, no ritmo de colheita e na qualidade dos alimentos perecíveis. Para o consumidor de Cuiabá, isso significa que produtos frescos podem apresentar oscilações mais fortes de uma semana para outra, especialmente quando há alterações nas condições de produção e transporte.
Quais alimentos ficaram mais baratos e podem ajudar no orçamento?
Apesar da alta geral, nem todos os produtos ficaram mais caros. O feijão registrou queda de 4,80% na comparação semanal, enquanto a carne bovina recuou 3,09% e o café ficou 1,69% mais barato. Esses movimentos mostram que existe espaço para substituir parcialmente produtos que sofreram fortes aumentos e reorganizar a lista de compras de acordo com os preços encontrados no momento. (Primeira Página)
A carne bovina, por exemplo, apresentou preço médio de R$ 46,52 por quilo no levantamento. Segundo a análise do IPF-MT, uma possível explicação para a redução foi o menor volume exportado, o que pode ter ampliado a oferta disponível no mercado interno. O café também apresentou redução, com preço médio de R$ 27,16 para o pacote de 500 gramas, movimento associado ao avanço da safra e à maior disponibilidade do produto. (Primeira Página)
Para quem faz compras em Cuiabá, a principal consequência prática é que o planejamento semanal pode fazer diferença maior quando há grande distância entre os preços dos alimentos. Em vez de montar a lista com base apenas no hábito de consumo, o consumidor pode comparar valores, priorizar os produtos que tiveram queda e reduzir temporariamente aqueles que apresentaram disparadas muito acima da média. A estratégia não elimina a inflação dos alimentos, mas pode evitar que uma alta concentrada em poucos itens provoque um aumento ainda maior no gasto mensal.
O que a alta da cesta básica indica para os próximos meses em Cuiabá?
Os dados recentes precisam ser observados junto com uma fotografia mais ampla do mercado de alimentos. Em agosto, a pesquisa nacional da cesta básica realizada por Conab e Dieese mostrou queda do custo em 25 das 27 capitais pesquisadas. Cuiabá teve redução de 3,37% naquele mês e fechou agosto com cesta de R$ 851,57, valor que colocou a capital entre as cidades com cesta mais cara do levantamento. (Dieese)
A diferença entre o resultado mensal de agosto e a alta registrada nas semanas seguintes mostra como o preço dos alimentos pode mudar rapidamente. A queda observada no mês anterior não impede que determinados produtos sofram aumentos fortes em setembro, principalmente quando fatores de oferta afetam alimentos perecíveis. Por isso, acompanhar apenas o índice mensal pode esconder movimentos que já estão chegando ao supermercado antes da próxima divulgação nacional.
O cenário também interessa ao comércio e à produção de Mato Grosso. Alterações nos preços dos alimentos influenciam o comportamento dos consumidores, podem modificar a procura por determinados produtos e afetam decisões de comerciantes sobre estoques e promoções. Além disso, como Mato Grosso possui forte participação no agronegócio, acompanhar a relação entre produção, clima, logística, oferta e preços ajuda a compreender por que o consumidor da capital pode sentir rapidamente mudanças ocorridas em diferentes etapas da cadeia de abastecimento.
Para as famílias, o próximo ponto de atenção será saber se a alta observada em setembro representa apenas uma pressão temporária sobre alguns alimentos ou se haverá continuidade nas próximas semanas. A própria composição do levantamento mostra que os movimentos não são uniformes: enquanto batata e tomate pressionaram o orçamento, feijão, carne bovina e café abriram algum espaço para compensação. (Home)
A evolução dos preços deve continuar sendo acompanhada porque uma sequência de altas semanais pode alterar significativamente o orçamento doméstico, mesmo quando alguns produtos apresentam redução. Para quem mora em Cuiabá, a estratégia mais prática neste momento é observar os preços por item, comparar estabelecimentos e aproveitar quedas pontuais sem comprometer a qualidade da alimentação. O próximo levantamento do IPF-MT será importante para indicar se os alimentos que dispararam agora começarão a recuar ou se a pressão continuará sobre a cesta básica da capital. (Home)

