Intervenção na antiga Ilha da Banana começa após anos de abandono e pode influenciar segurança, circulação, comércio e ocupação do Centro.
A revitalização do Largo do Rosário, conhecido durante anos como Ilha da Banana, entrou em uma nova etapa e pode representar uma mudança importante na região central de Cuiabá. Prefeitura e Governo de Mato Grosso acompanham desde a semana passada o início das intervenções em uma área de aproximadamente 5,9 mil metros quadrados que permaneceu cercada, sem utilização e associada a problemas de segurança e degradação urbana. A primeira fase envolve a retirada das estruturas remanescentes, limpeza e preparação do terreno.
A pergunta que começa a surgir para quem circula pela região é o que realmente poderá mudar depois da obra. Mais do que retirar imóveis e entulhos, a proposta abre uma discussão sobre como recuperar uma área estratégica do Centro de Cuiabá, melhorar a circulação de pessoas, estimular novas atividades e devolver utilidade a um espaço que passou anos marcado por impasses. O projeto também interessa a comerciantes, trabalhadores, moradores e visitantes que utilizam diariamente o entorno da Avenida Prainha, do Morro da Luz e da Igreja de São Benedito.
Por que a antiga Ilha da Banana ficou tantos anos sem uma solução?
O Largo do Rosário acumulou durante mais de uma década uma série de problemas relacionados a projetos de mobilidade, desapropriações e disputas judiciais. A área chegou a ser incluída nas discussões relacionadas à implantação do VLT e, posteriormente, passou a integrar o lote do BRT do Coxipó. Com mudanças nos projetos e processos de desapropriação, entretanto, o espaço permaneceu durante anos em uma situação de indefinição, com imóveis demolidos e estruturas remanescentes.
Agora, a situação começou a mudar porque a área deixou de integrar o projeto do BRT e passou a ser tratada dentro de uma proposta específica de recuperação urbana. O contrato atualmente firmado para os serviços tem valor de R$ 731 mil e prazo de até 60 dias, contemplando inicialmente a retirada dos entulhos e a preparação do terreno. A própria Prefeitura destaca que o espaço possui posição estratégica para a recuperação do Centro e que a intervenção pretende devolver uma nova função à área.
O histórico explica por que a intervenção atual merece atenção mesmo antes de o projeto definitivo estar completamente implantado. Uma área urbana vazia e cercada no coração da capital não produz apenas impacto visual, mas também interfere na percepção de segurança, na circulação de pedestres e na atividade econômica ao redor. Para comerciantes e trabalhadores, a recuperação do espaço pode significar a criação de um ambiente mais favorável à permanência de pessoas, desde que as próximas etapas sejam acompanhadas de manutenção, iluminação, acessibilidade e uso efetivo.
O que pode mudar para quem trabalha, mora ou circula pelo Centro?
O primeiro efeito esperado é urbano. A retirada das estruturas abandonadas e a preparação do terreno podem reduzir um ponto de degradação em uma região que conecta diferentes áreas do Centro de Cuiabá. A localização próxima à Prainha e ao Morro da Luz faz com que qualquer transformação no espaço tenha potencial de repercutir não apenas para quem mora nas proximidades, mas também para pedestres, trabalhadores do comércio e pessoas que utilizam o transporte público ou atravessam a região diariamente.
Existe também uma dimensão econômica que costuma ser menos perceptível em obras públicas. Espaços urbanos degradados tendem a reduzir a atratividade do entorno, enquanto áreas qualificadas e com circulação regular podem criar condições melhores para comércio, serviços, gastronomia e atividades culturais. Isso não significa que a revitalização, sozinha, vá garantir novos negócios, mas uma área central mais organizada pode contribuir para melhorar a experiência de quem visita e para aumentar a disposição de comerciantes e empreendedores em investir no entorno.
Outro ponto importante é a segurança. A Prefeitura afirma que o espaço acumulava lixo e entulhos e era associado a problemas de segurança, o que ajuda a explicar a prioridade dada à recuperação da área. A mudança, porém, dependerá de algo além da obra física: iluminação adequada, limpeza contínua, fiscalização, circulação de pessoas e programação de atividades serão fatores importantes para evitar que o local volte a ficar subutilizado. O desafio será transformar uma intervenção pontual em uma política permanente de ocupação urbana.
Por que o novo Largo do Rosário pode ser importante para o futuro de Cuiabá?
A revitalização também pode ganhar relevância cultural porque está inserida em uma área relacionada à memória e às tradições da capital. A Igreja de São Benedito e o entorno do Rosário possuem forte presença na vida cultural cuiabana, e a própria Prefeitura informou anteriormente que a proposta de requalificação considera a criação de condições mais adequadas para atividades religiosas, culturais e comunitárias.
Esse aspecto amplia o significado da obra. Uma recuperação bem planejada pode fazer com que o espaço deixe de ser apenas uma área de passagem e passe a funcionar como ponto de convivência, eventos e valorização da identidade cuiabana. Para o turismo, isso também pode representar uma oportunidade de integrar patrimônio, gastronomia, manifestações culturais e circulação pelo Centro Histórico, especialmente se houver uma estratégia conjunta entre poder público, comerciantes e produtores culturais.
O próximo passo será decisivo porque a intervenção atualmente anunciada ainda representa uma etapa inicial. Depois da demolição das estruturas restantes, limpeza e regularização do terreno, será necessário acompanhar como o projeto de revitalização será definido, quais equipamentos serão instalados, como será organizada a circulação e quais atividades poderão ocupar o espaço. A Prefeitura informa que ainda existem três moradores na área, com situações distintas de desapropriação, o que demonstra que a solução completa ainda envolve questões jurídicas e administrativas.
Para Cuiabá, portanto, o principal indicador de sucesso não será apenas a conclusão das obras, mas a capacidade de manter o Largo do Rosário ocupado, acessível e integrado à dinâmica do Centro. Se a área receber manutenção permanente, segurança, acessibilidade e programação capaz de atrair moradores e visitantes, a transformação poderá alcançar comércio, turismo e qualidade de vida. Nos próximos meses, o que merece atenção é justamente a passagem da limpeza inicial para um projeto urbano efetivo, capaz de transformar um antigo problema da capital em um espaço público utilizado diariamente pela população.

