O Santos Futebol Clube foi condenado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão ligado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá Esporte Clube. A cobrança envolve a contratação do zagueiro Joaquim pelo time paulista, em fevereiro de 2023, e a participação do clube mato-grossense na transferência posterior do jogador para o Tigres, do México.
O Cuiabá divulgou a decisão em 22 de setembro de 2026. Segundo informações reunidas pelo Diário do Peixe, o processo trata do não cumprimento de compromissos financeiros assumidos pelo Santos na negociação. A condenação estabelece o valor devido, mas ainda existe possibilidade de recurso em instância institucional competente.
Como surgiu a dívida entre Santos e Cuiabá
De acordo com o Cuiabá, a última parcela do acordo original venceu em janeiro de 2025. O clube de Mato Grosso afirma que aceitou renegociar o débito e abriu mão de parte do valor que teria a receber, em uma tentativa de estabelecer um novo cronograma para o pagamento.
A renegociação, porém, não teria sido cumprida integralmente pelo Santos. Conforme a nota reproduzida pelo UOL Esporte, o clube paulista quitou somente uma das cinco parcelas previstas no novo acordo. Diante da inadimplência, o Cuiabá levou o caso à CNRD em maio de 2025.
O valor de R$ 18,6 milhões informado na decisão representa a cobrança apresentada pelo Cuiabá no processo. A origem está vinculada ao negócio envolvendo Joaquim, que deixou o clube mato-grossense para defender o Santos e, posteriormente, teve sua transferência para o futebol mexicano relacionada aos direitos econômicos e às obrigações previstas entre as equipes.
Santos contesta exposição pública do caso
Após a divulgação da condenação, o Santos se manifestou sobre o episódio. Em posicionamento publicado pelo Diário do Peixe, o clube contestou a exposição pública da cobrança e afirmou que a questão deve ser tratada nos fóruns institucionais competentes.
A manifestação do Santos também reforça que a decisão ainda pode ser submetida a recurso no Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem (CBMA). Por isso, a condenação da CNRD não significa necessariamente que o pagamento será feito de forma imediata ou que o processo esteja definitivamente encerrado.
O caso, portanto, permanece dentro dos mecanismos de resolução de disputas do futebol brasileiro. A CNRD analisa conflitos entre clubes, atletas e demais integrantes do setor, enquanto eventuais recursos seguem os procedimentos previstos pelas instâncias responsáveis. O andamento e o desfecho dependem das medidas adotadas pelas partes.
Cuiabá cita outras dívidas de clubes
Além da cobrança contra o Santos, o Cuiabá afirmou que possui valores pendentes a receber de outras equipes brasileiras. Entre os clubes mencionados estão Corinthians, Sport e Grêmio. Segundo informações divulgadas pelo Band, o clube mato-grossense declarou que seus créditos contra equipes do país ultrapassam R$ 40 milhões.
A situação evidencia um problema recorrente na gestão do futebol nacional: a existência de negociações parceladas e compromissos financeiros que podem se prolongar por meses ou anos. Para clubes de menor orçamento ou que dependem da negociação de atletas, o atraso em parcelas pode afetar o planejamento esportivo e administrativo.
O episódio tem impacto direto para o futebol de Mato Grosso porque envolve o Cuiabá, principal representante do estado no cenário nacional. A decisão também chama a atenção dos torcedores para a importância dos contratos de transferência e dos mecanismos utilizados para cobrar valores devidos entre clubes.
Até o momento da divulgação das informações, o Santos havia contestado a exposição pública do caso, enquanto o Cuiabá cobrava o cumprimento da decisão. A possibilidade de recurso impede que o processo seja tratado como definitivamente concluído. O valor reconhecido pela CNRD, no entanto, é de R$ 18.616.377,46, relacionado à negociação do zagueiro Joaquim.

