Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, identifica no Sul da Itália uma das fontes mais ricas e ainda pouco exploradas de referências para projetos de design de alto padrão. A arquitetura vernacular dessa região une pedra bruta, cal, argila e madeira em composições que envelhecem com dignidade e elegância.
Neste artigo, você vai entender o que caracteriza essa estética, quais elementos construtivos a definem, como ela se diferencia de outras tradições mediterrâneas e de que forma seus princípios podem ser aplicados em projetos contemporâneos. Confira!
O que define a estética rústica sofisticada das construções do Sul italiano?
A arquitetura do Sul da Itália não busca impressionar pela ornamentação excessiva, mas pela coerência entre material, função e paisagem. Daugliesi Giacomasi Souza observa as construções de Puglia, Basilicata e Calábria que foram erguidas ao longo de séculos com o que o território oferecia: pedra calcária local, argamassas de cal e pigmentos naturais extraídos do solo.
O resultado é uma estética que muitos definem como rústica, mas que carrega uma sofisticação profunda. Paredes espessas que regulam a temperatura, vãos estreitos que controlam a entrada de luz, superfícies irregulares que absorvem e refletem o calor de forma equilibrada. Cada escolha construtiva tinha uma razão funcional, e é essa racionalidade aplicada que confere ao conjunto uma beleza que resiste ao tempo.
Quais elementos arquitetônicos mais caracterizam essa tradição construtiva?
Os trulli de Alberobello são talvez o símbolo mais reconhecível dessa tradição. Suas coberturas cônicas em pedra seca, sem argamassa, demonstram um domínio técnico notável e uma solução construtiva que se adapta perfeitamente ao clima local. Mas a arquitetura do Sul vai além dos trulli, incluindo masserie, casas-fazenda fortificadas que funcionavam como unidades autossuficientes, com muros altos e pátios internos que comunicam solidez e pertencimento ao território.

Daugliesi Giacomasi Souza ressalta que os elementos mais replicados em projetos contemporâneos inspirados nessa tradição são os pisos em pedra natural irregular, os tetos abobadados em pedra, as paredes de cal com acabamento texturizado e as esquadrias em madeira escura com ferragens artesanais.
Como essa estética se diferencia de outras tradições arquitetônicas mediterrâneas?
A arquitetura do Sul italiano se distingue da grega, da espanhola e da provençal pela austeridade que não recorre ao branco imaculado nem ao azul intenso como recursos visuais. A paleta é terrosa, quente e sutil: ocres, bege, cinza pedra e areia. O volume das construções é compacto e fechado para o exterior, mas generoso e luminoso para o interior.
A fundadora da DGdecor, Daugliesi Giacomasi Souza, aponta que essa característica de contenção exterior e riqueza interior é exatamente o que torna essa referência tão valiosa para projetos de alto padrão. Em um momento em que o design de interiores valoriza autenticidade e experiência sensorial em vez de ostentação, a arquitetura do Sul italiano oferece um vocabulário visual que responde a demandas com naturalidade e consistência.
De que forma esses princípios podem ser aplicados em projetos contemporâneos?
Traduzir a estética do Sul italiano para projetos contemporâneos não significa reproduzir elementos de forma literal, mas compreender a lógica por trás deles. Usar pedra natural em pisos e paredes sem polimento excessivo, optar por argamassas com textura visível, valorizar imperfeições como marcas de autenticidade e escolher madeiras com acabamento envelhecido são atitudes que capturam o espírito dessa arquitetura sem transformá-la em cenografia.
Daugliesi Giacomasi Souza reforça que o maior aprendizado dessa tradição construtiva está na relação honesta entre material e espaço. Quando um projeto parte desse princípio, o resultado é um ambiente que comunica permanência, cuidado e profundidade cultural, qualidades que nenhuma tendência passageira consegue substituir e que definem o que há de mais duradouro no bom design de interiores.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

