A partir de julho de 2025, destinos como Brasília, Goiânia, Curitiba e Campo Grande deixaram de ser operados diretamente pela companhia a partir do aeroporto mato-grossense.
A notícia caiu como um balde de água fria para quem depende do transporte aéreo na capital mato-grossense. A Azul Linhas Aéreas anunciou a suspensão de seis rotas com origem no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, a partir do dia 1º de julho de 2025. Os destinos afetados são Alta Floresta (MT), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Goiânia (GO), Brasília (DF) e Maceió (AL), cobrindo tanto ligações regionais quanto conexões com capitais federais de relevância estratégica para Mato Grosso.
A Centro-Oeste Airports (COA), concessionária responsável pela administração do aeroporto, confirmou as mudanças e reforçou que a decisão é de responsabilidade exclusiva da companhia aérea. A situação preocupa moradores, viajantes a negócios e o setor turístico, que já enxergam reflexos imediatos na mobilidade e no custo de deslocamento para quem precisa deixar Cuiabá.
Por Que a Azul Está Cortando Voos de Cuiabá?
A companhia classificou as mudanças como parte de um “processo normal de ajuste de mercado”, buscando equilibrar oferta e demanda em sua malha nacional. No entanto, o contexto financeiro da empresa fornece uma dimensão mais ampla para entender a decisão: em maio de 2025, a Azul havia entrado com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos em razão do volume de dívidas acumuladas, conforme noticiado pela Gazeta Digital.
A suspensão das rotas de Cuiabá não é um evento isolado dentro da estratégia da companhia, mas reflete um movimento mais amplo de enxugamento operacional. Para a capital mato-grossense, a consequência prática é a perda de conexões diretas com destinos que movimentam tanto o fluxo de negócios quanto o de passageiros em trânsito. Quem precisar chegar a Brasília ou Goiânia, por exemplo, terá que optar por conexões em hubs como Viracopos (SP) ou Confins (MG), onde a Azul concentra sua malha reduzida.
Apesar dos cortes, a empresa garantiu que continuará operando nove destinos a partir de Cuiabá, com mais de 61 mil assentos disponíveis mensalmente. Os passageiros afetados foram orientados a buscar diretamente a Azul para verificar opções de reacomodação ou reembolso, conforme as normas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
O Que Muda na Prática Para Quem Viaja de Cuiabá
A redução da malha aérea local afeta diferentes perfis de passageiros de formas distintas. Para quem viaja a trabalho com frequência para Brasília ou Goiânia, a ausência de voos diretos representa um aumento considerável no tempo de deslocamento e, consequentemente, nos custos de diária e hospedagem. Para turistas e viajantes de lazer, a situação exige mais planejamento e, quase sempre, tarifas mais elevadas nas conexões.
No mercado local, a percepção é de que a conectividade aérea de Cuiabá vai na contramão das necessidades de uma capital que é porta de entrada para o Pantanal e o agronegócio do Centro-Oeste. Além da Azul, o aeroporto segue sendo atendido pela Gol e pela Latam, o que oferece alguma alternativa, mas não necessariamente com as mesmas frequências e horários que os passageiros estavam habituados. A avaliação dos próximos meses dirá se outras companhias se movimentarão para ocupar os espaços deixados pela Azul ou se o cenário de redução de rotas vai se consolidar.
Passageiros com Passagens Compradas: O Que Fazer
Para quem já tinha passagens emitidas nos voos cancelados, a COA recomendou que o contato seja feito diretamente com a Azul Linhas Aéreas. A ANAC assegura que os passageiros têm direito a reacomodação em outro voo da mesma companhia ou de empresa parceira, devolução do valor pago ou, em alguns casos, reembolso integral. O consumidor deve guardar todos os comprovantes de compra e registrar a solicitação preferencialmente por escrito, tanto pelo aplicativo da Azul quanto pelos canais de atendimento ao cliente.
Vale lembrar que a norma regulatória brasileira proíbe cobranças adicionais para reacomodação em caso de cancelamento por iniciativa da empresa. Caso haja resistência por parte da companhia, o passageiro pode registrar reclamação no portal Consumidor.gov.br ou acionar a ANAC diretamente. Manter-se informado sobre as atualizações da malha aérea nos próximos meses é especialmente importante para quem programa viagens no segundo semestre de 2025.
Fontes: Gazeta Digital | RDNEWS | Portal 93
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

