No Supramonte, entre os territórios de Orgosolo e Urzulei, o rio Flumineddu abriu uma garganta que chega a apenas quatro metros de largura em alguns pontos. Nas paredes calcárias vive também a única população conhecida da rara Aquilegia nuragica
Quem conhece a Sardenha principalmente pelo litoral encontra no Supramonte uma paisagem completamente diferente. Entre Barbagia e Ogliastra, a Gola di Gorropu se estende por cerca de 1,5 quilômetro, cercada por paredes calcárias que ultrapassam 450 metros e chegam a aproximadamente 500 metros de altura. Nos trechos mais estreitos, apenas quatro metros separam um paredão do outro. É considerada uma das gargantas mais profundas da Europa.
Antonella Giancoli, da Benarrivati, inclui Gorropu nos roteiros pela ilha justamente para romper com a imagem exclusivamente costeira da Sardenha. Chegar ao cânion exige percorrer a pé o terreno do Supramonte, entre bosques, rochas e vales, até alcançar um corredor de pedra moldado durante milênios pela ação do rio Flumineddu.
A água abriu caminho pelo calcário
Gorropu marca a divisa entre os territórios de Orgosolo e Urzulei. O cânion foi escavado progressivamente pelo Flumineddu sobre as rochas calcárias da região, enquanto parte da água se infiltra no complexo sistema subterrâneo do Supramonte e volta a emergir em nascentes mais abaixo.
As próprias paredes guardam vestígios da origem marinha das rochas, formadas quando essa área esteve submersa, dezenas de milhões de anos atrás. Ao longo do tempo, erosão, infiltrações, cheias e desmoronamentos deram ao cânion a configuração estreita e irregular observada hoje.
O nível do Flumineddu varia conforme a estação e as chuvas. Por isso, as condições dentro da garganta não são constantes, e episódios de cheia podem alterar ou impedir o acesso a determinados trechos.
Uma planta conhecida em um único ponto do planeta
A biodiversidade de Gorropu inclui uma espécie particularmente rara. A Aquilegia nuragica é uma planta endêmica da Sardenha cuja única população conhecida está no próprio cânion, em uma área muito restrita das paredes calcárias úmidas, entre aproximadamente 620 e 680 metros de altitude. A espécie é classificada como criticamente ameaçada.
Sua distribuição é tão limitada que estudos recentes reconhecem apenas essa população como pertencente à espécie. A coleta de exemplares e a pressão de atividades recreativas estão entre as ameaças registradas, razão pela qual a planta deve ser observada sem qualquer interferência.
A raridade acrescenta outra dimensão à visita, mas também exige cuidado ao contar essa história: a Aquilegia nuragica não é uma flor que normalmente se encontra caminhando pelo leito do rio. Sua população sobrevivente está concentrada principalmente em paredes úmidas e de acesso difícil.
Há mais de uma maneira de chegar a Gorropu
Nenhuma estrada atravessa o cânion. Os acessos são feitos por trilhas de diferentes extensões e níveis de dificuldade, e uma das aproximações mais conhecidas parte da região de Genna Silana. Outra chega pelo vale de Oddoene, no território de Dorgali, acompanhando em parte o curso do Flumineddu.
Atualmente, o cânion possui horários controlados de entrada e bilheteria na própria chegada. A visita pode ser feita com ou sem guia em determinados percursos, embora o turismo oficial da Sardenha recomende acompanhamento especializado e equipamento adequado para os trekkings na região. Trechos tecnicamente mais exigentes não são apropriados para todos os visitantes.
Nos roteiros da Benarrivati, a escolha do acesso considera o preparo físico dos viajantes, as condições meteorológicas e o estado das trilhas, em vez de assumir que toda família fará o mesmo percurso ou avançará até os mesmos pontos.
A Sardenha que aparece depois que o mar fica para trás
Para Antonella, é justamente essa mudança de cenário que torna Gorropu interessante dentro de uma viagem pela ilha.
“Quando deixamos a costa e entramos no Supramonte, a Sardenha muda completamente. Gorropu tem uma escala difícil de perceber em fotografia: você caminha entre blocos de pedra e, de repente, percebe que as paredes sobem centenas de metros ao redor. Saber que existe ali uma planta encontrada apenas naquele cânion torna ainda mais evidente o quanto esse ambiente é específico e precisa ser percorrido com cuidado”, explica Antonella Giancoli.
A passagem pelo cânion também pode ser relacionada a outros pontos do interior. Orgosolo, por exemplo, tornou-se conhecido pelas centenas de murais espalhados por suas ruas, muitos deles dedicados à história local, a conflitos sociais e a acontecimentos políticos.
Ao incluir Gorropu, Antonella Giancoli leva o roteiro da Benarrivati para uma Sardenha que não depende do mar para impressionar. Entre paredes calcárias, bosques do Supramonte e espécies que sobrevivem em áreas extremamente restritas, o interior da ilha mostra uma geografia tão particular quanto aquela encontrada em sua costa.
Sobre a Benarrivati
Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.

