Em um contexto marcado pela desigualdade de acesso a serviços de saúde especializados, a doação de óculos para crianças e jovens da rede pública representa uma intervenção direta sobre uma das barreiras mais concretas ao aprendizado. O Projeto Visão em Dia, desenvolvido pelo Instituto Visão Conectada sob a liderança de Franco Douglas Lima Dias, já distribuiu cerca de 2 mil óculos gratuitamente a estudantes que não teriam condições de obter a correção visual por qualquer outro meio disponível.
A entrega dos óculos não é uma ação isolada. Ela é a etapa final de um processo que começa com a triagem individualizada realizada dentro da própria escola, passa pelo diagnóstico do grau e das condições visuais de cada criança e culmina na entrega da correção adequada no mesmo dia do atendimento. Para as famílias beneficiadas, esse processo inteiro acontece sem custo, sem deslocamento e sem necessidade de agendamento prévio.
O número de óculos distribuídos cresceu a cada novo ciclo de ações, acompanhando a expansão do programa para novas unidades de ensino e instituições.
Quem são os estudantes que recebem os óculos?
O perfil dos estudantes beneficiados pelo Projeto Visão em Dia é definido por uma característica central: a impossibilidade de acessar correção visual por conta própria. São crianças e jovens de famílias sem condições de arcar com o custo de uma consulta particular e sem acesso ágil ao atendimento oftalmológico dentro do sistema público. Para muitos deles, a triagem realizada pelo programa representa o primeiro contato com um serviço de saúde ocular especializado.
A diretora da APAE de Ferraz de Vasconcelos, Lara Benute, descreveu com precisão esse perfil ao comentar sobre a ação realizada na instituição: “Todos os alunos que foram beneficiados não tinham condições financeiras para pagar uma consulta.” A fala traduz o que o programa encontra de forma recorrente em cada escola e instituição que visita.
Como é definida a necessidade de óculos para cada criança?
A entrega de óculos pelo Projeto Visão em Dia é sempre precedida por uma avaliação individualizada. O programa não distribui correções genéricas ou padronizadas. Cada criança passa por uma triagem que identifica seu grau visual específico e detecta possíveis condições que vão além da miopia ou do astigmatismo simples.

Conforme aponta a estrutura do Instituto Visão Conectada, essa etapa de avaliação é parte indispensável do modelo. Usar uma correção inadequada pode causar desconforto e, em alguns casos, agravar o problema visual. A individualização do diagnóstico garante que cada par de óculos entregue corresponda a uma necessidade real e específica daquela criança.
O que acontece quando a triagem identifica condições mais complexas?
Nem todos os casos identificados pelo Projeto Visão em Dia se resolvem com a entrega de óculos. Algumas condições, como o ceratocone diagnosticado em dois alunos durante a ação realizada na APAE de Ferraz de Vasconcelos, exigem acompanhamento especializado além da correção convencional. Nessas situações, o programa cumpre um papel diferente: trazer o diagnóstico à luz e criar a possibilidade de que a família busque o tratamento adequado com uma informação que antes não existia.
Para Franco Douglas Lima Dias, que desenvolveu ceratocone por falta de diagnóstico precoce, a identificação dessas condições em crianças ainda em idade escolar é o resultado mais significativo que o programa pode produzir. A janela de tratamento que se abre com um diagnóstico precoce é, nesses casos, incomparavelmente mais ampla do que a que resta quando a condição avança sem ser detectada.
Como a distribuição de óculos se conecta ao desempenho escolar?
A relação entre correção visual e desempenho escolar é direta. Uma criança que não enxerga o quadro, que tem dificuldade para ler o caderno ou que sente dor de cabeça após períodos de leitura opera em desvantagem dentro de um ambiente que depende fundamentalmente da capacidade visual para transmitir conteúdo. A entrega de óculos adequados remove essa desvantagem de forma imediata.
Na concepção de Franco Douglas Lima Dias, o programa existe precisamente porque essa conexão não está sendo tratada com a devida atenção dentro das escolas públicas. Cada par de óculos distribuído pelo Visão em Dia é, ao mesmo tempo, uma intervenção de saúde e uma intervenção no direito de aprender daquela criança.
Qual é o próximo passo para ampliar a distribuição de óculos pelo programa?
Com mais de 5 mil atendimentos realizados e cerca de 2 mil óculos já distribuídos, o Projeto Visão em Dia segue com o objetivo de ampliar seu alcance para novas unidades de ensino e instituições. Cada novo ciclo de ações representa mais diagnósticos realizados e mais crianças que receberão a correção visual de que precisam.
Segundo informações sobre a iniciativa, Franco Douglas Lima Dias mantém o foco na expansão do programa como forma de alcançar estudantes que ainda não foram contemplados. O número de óculos distribuídos crescerá na medida em que o programa chegar a novos ambientes onde a demanda existe e onde nenhuma outra estrutura chegou antes.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

