Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira comenta que a automação de processos costuma ser apresentada sob uma ótica estreita, focada exclusivamente na redução de custos e na eliminação de tarefas manuais. Embora esses benefícios sejam relevantes, essa abordagem deixa em segundo plano impactos mais profundos que uma estratégia bem estruturada pode gerar dentro das organizações. Quando aplicada aos processos certos e alinhada aos objetivos do negócio, a automação não transforma apenas as operações, mas também amplia a capacidade da empresa de responder com mais agilidade a oportunidades e mudanças do mercado.
Neste artigo, você entenderá por que a automação deixou de ser apenas uma ferramenta de eficiência operacional e passou a desempenhar um papel estratégico na capacidade de crescimento, adaptação e competitividade das empresas.
Automatizar o quê?
A primeira armadilha em iniciativas de automação é começar pela tecnologia em vez de começar pelo processo. Empresas adquirem ferramentas de automação e depois procuram onde aplicá-las, em vez de mapear cuidadosamente quais processos geram mais valor quando automatizados e quais simplesmente não deveriam existir na forma atual. Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira destaca essa inversão como ponto de partida de muitos projetos que não entregam o retorno esperado.
Processos que são frequentes, repetitivos, baseados em regras claras e propensos a erro humano são candidatos naturais para automação. Mas existe uma categoria ainda mais valiosa: processos que, uma vez automatizados, liberam tempo de profissionais qualificados para atividades que exigem julgamento, criatividade ou relacionamento. Identificar esses processos exige conversar com as pessoas que os executam diariamente, porque são elas que conhecem as ineficiências reais que nenhum mapeamento abstrato consegue capturar completamente.
RPA e inteligência artificial seguem caminhos opostos ou complementares?
Existe confusão recorrente entre automação baseada em regras, conhecida como RPA, e automação baseada em inteligência artificial. Essas abordagens não competem entre si. Pelo contrário, frequentemente se complementam dentro do mesmo processo, e essa complementaridade pode ser organizada da seguinte forma:
- RPA cuidando de etapas estruturadas e previsíveis, como preenchimento de formulários, movimentação de dados entre sistemas e execução de fluxos baseados em regras fixas.
- Inteligência artificial lidando com tarefas que envolvem interpretação, como classificação de documentos, extração de informações de textos não estruturados ou análise de padrões em dados variáveis.

Um processo de análise de documentos, por exemplo, pode usar inteligência artificial para extrair e classificar informações de um documento recebido, e em seguida usar automação baseada em regras para encaminhar, registrar ou processar essas informações conforme fluxos predefinidos. Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira observa que combinar essas abordagens de forma inteligente permite automatizar processos que antes pareciam exigir necessariamente intervenção humana, sem abandonar a previsibilidade e a auditabilidade que processos críticos exigem.
O fator humano na automação: o que ninguém quer discutir
A dimensão mais delicada de qualquer projeto de automação é seu impacto sobre as pessoas cujo trabalho está sendo automatizado. Ignorar essa dimensão, tratando a automação como puramente técnica, costuma gerar resistência que compromete o sucesso do projeto, independentemente da qualidade da solução implementada. Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira ressalta que essa é a variável que mais frequentemente determina se um projeto de automação será adotado de fato ou apenas tolerado.
Organizações que conduzem a automação de forma transparente, envolvendo as equipes afetadas desde o início e sendo claras sobre como o trabalho vai mudar, tendem a obter adoção muito mais rápida e menos sabotagem velada de novos processos. Em muitos casos, as pessoas que executavam o processo manual são as mais capacitadas para ajudar a desenhar a automação, porque entendem as exceções e nuances que raramente estão documentadas em qualquer lugar.
Automação como capacidade contínua de evolução
Organizações maduras em automação não tratam cada projeto como um esforço isolado, mas constroem capacidade interna contínua de identificar, priorizar e implementar automações conforme novas oportunidades surgem. Essa capacidade contínua, mais do que qualquer automação específica, é o que sustenta ganhos de eficiência ao longo do tempo em ambientes que continuam mudando, e é justamente esse tipo de visão de longo prazo que Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira associa às organizações que extraem mais valor de seus investimentos em automação.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

