Traduzir uma conversa sem internet ou editar uma foto com inteligência artificial diretamente no celular já é uma possibilidade concreta, e Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, especialista em tecnologia, software e inteligência artificial, indica que essa mudança está ligada a uma tendência importante: a de levar parte do processamento da nuvem para dentro dos próprios dispositivos.
Até recentemente, a maioria das funções de inteligência artificial dependia do envio de dados para servidores remotos. Atualmente, fabricantes de smartphones e computadores incluem chips dedicados à IA, capazes de executar modelos menores diretamente no aparelho, sem a necessidade de conexão permanente com a internet e sem a transmissão de cada solicitação para servidores externos.
A novidade tem gerado questionamentos em relação ao seu desempenho, à privacidade dos usuários e à duração da bateria. Veja a seguir como funciona a chamada IA no dispositivo, quais são suas vantagens e quais limites ela ainda apresenta em relação aos modelos executados na nuvem.
O funcionamento da IA no próprio dispositivo
Os dispositivos mais recentes são equipados com processadores dedicados à inteligência artificial, denominados NPUs. Os componentes em questão apresentam uma eficiência superior na execução dos cálculos em comparação com os processadores tradicionais. Além disso, operam com baixo consumo de energia, liberando o sistema para a execução de outras tarefas.
Para se adequarem aos dispositivos em questão, os modelos são submetidos a processos de compactação, que reduzem suas dimensões, enquanto preservam a capacidade original. Conforme explicado por Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, CTO, tal adaptação permite a execução local de tarefas como a transcrição de áudio, o resumo de textos, o reconhecimento de imagens e as sugestões de escrita, entre outras.
Em geral, o funcionamento é híbrido. Tarefas de natureza simples são resolvidas no próprio aparelho, enquanto pedidos que demandam um nível mais elevado de complexidade são encaminhados para modelos mais robustos na nuvem, que apresentam maior capacidade de processamento. A divisão mencionada busca equilibrar velocidade, privacidade e qualidade das respostas conforme a necessidade de cada situação.

Vantagens e limites da IA no aparelho
A principal vantagem é a privacidade. Quando o processamento ocorre no próprio dispositivo, dados como fotos, mensagens e gravações não precisam ser transferidos para outros sistemas, reduzindo a exposição de informações pessoais e proporcionando ao usuário um maior controle sobre o que é compartilhado.
Além disso, a velocidade de processamento é otimizada, uma vez que não há tempo de espera pelo envio e retorno das informações pela internet. Mesmo em locais sem sinal, como durante viagens, em áreas remotas ou em ambientes com conexão instável, as funções básicas permanecem disponíveis.
Entretanto, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, diretor de tecnologia, levanta uma questão importante: os modelos locais ainda têm capacidade inferior à dos sistemas executados em grandes datacenters. Tarefas mais complexas permanecem vinculadas à nuvem, e o uso intensivo de IA no dispositivo pode comprometer a bateria e exigir equipamentos mais modernos.
Um equilíbrio entre nuvem e dispositivo
A implementação da inteligência artificial no próprio aparelho celular amplia as possibilidades de uso da tecnologia no cotidiano, com mais agilidade, autonomia e proteção de dados. É esperado que a tecnologia evolua de tal maneira que as gerações seguintes apresentem chips mais potentes e modelos mais eficientes. Dessa forma, haverá um aumento no número de funções sem a necessidade de conexão.
Dessa forma, a experiência de Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira como CTO contribui para a compreensão de que o futuro aponta para uma combinação entre processamento local e computação em nuvem, e não para a substituição de um pelo outro. Cada ambiente é otimizado para um determinado tipo de tarefa, e a integração entre eles tende a definir a experiência dos usuários nos próximos anos.
Para o usuário, compreender tal divisão é essencial para a escolha de aparelhos, a configuração de recursos de privacidade e o aproveitamento das funções disponíveis. Além disso, é importante saber quando os dados permanecem no dispositivo e quando são enviados para processamento externo.

